Detesto títulos.

Títulos sempre me desesperavam. E continuam. Títulos me limitam, me enforcam, me balançam em abismos de linguagens mornas, hão de pedir migalhas, restos de ideias à palavras já anunciadas.

Quero títulos escondidos, encontrar na pureza das coisas etéreas uma vírgula intitulada, esguia, tímida, pairando sob o texto, devorando em prosa a carne da linguagem estabelecida.

Tudo que intitula não cabe à prosa, nem ao verso, tampouco à poesia. O que intitula corrói, é presunção. Um texto sempre toma outros caminhos  quando se tem a alma suficientemente bela  para  exaurir os pontos finais.

Carlos Drummond de Andrade já dizia, em Consideração do Poema:

” Não rimarei a palavra sono

com a incorrespondente palavra outono.

Rimarei com a palavra carne

ou qualquer outra, que todas me convém.

As palavras não nascem amarradas,

elas saltam, se beijam, se dissolvem,

no céu livre por vezes um desenho,

são puras, largas, autênticas, indevassáveis”…

 

 

 

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