Fui. Tua, nua. Fui crua, carne, desprendida, avessa. Fui teu delírio, tua solidão, teu sexo. Fui sua obra-prima, seu renascimento, sua morte anunciada. Fui sua escrava, sua deusa, seu demônio. Suas noites de verão, seus lençóis, seu sêmen, seu suor, sua gota de bile, seu pranto e seu gemido. Terrivelmente sua, feito dois amantes, que desconhecem o fim, insuportavelmente fomos, somos, fui, foi, é, és; e sobre a terra que tece migalhas, sobre a terra que faz nascer, recolho teu silêncio, com as mãos gastas, e me meto no mundo escrava da tua ausência

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